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Livro, leitura e literatura

Livro, leitura e literatura  “(…) a literatura é o sonho acordado das civilizações. Portanto, assim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura. Deste modo, ela fator indispensável de humanização e, sendo assim, confirma o homem na sua humanidade, inclusive porque atua em grande parte no subconsciente e no inconsciente”. Desta forma, o crítico literário Antonio Candido define, no ensaio Direito à Literatura, a arte narrativa como constructo fundamental de humanização.

Se poetas e críticos afirmam a importância da literatura desde que o mundo é mundo, tem pouco tempo que o tema passou a ser incorporado às pautas de políticas públicas, como necessário à formação de leitores que vão além da leitura instrumental. O que Jéferson Assumção, da Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, chama de “leitor cultural”.

“O Brasil começou a se dar conta de que livro e leitura têm a ver com educação e cultura. Existe a dimensão da educação, de aprender a ler e a escrever, mas também existe a dimensão cultural da leitura, que tem a ver com aquilo que ultrapassa o funcional, a relação utilitária e pragmática”, explica Assumção.

Segundo o escritor, que participou do Ministério da Cultura durante a elaboração do Plano Nacional do Livro e Leitura – PNLL, a dimensão cultural da leitura foi pensada no Plano, tomando como base os 3L – livro, leitura e literatura, cinco diretrizes e dois eixos. “Já no início da discussão sobre o Plano, vimos que deveríamos atacar cinco pontos: 1º) colocar o livro em lugar de destaque no imaginário coletivo; 2º) ter escolas que saibam formar leitores culturais; 3º) formar o hábito cultural dentro das família brasileiras; 4º) ampliar o acesso ao livro, com a criação de bibliotecas vivas; e 5º) tornar o preço do livro mais acessível. Quanto aos dois eixos, são eles o ético e o estético, que falam do acesso ao livro e da fruição simbólica da leitura e da escrita”, conta.

Essa visão sobre a questão da leitura no Brasil, Jéferson levou para aSecretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, com o intuito de colaborar para a estruturação de um Plano Estadual de Livro, Leitura e Literatura. “No Rio Grande do Sul, estamos em pleno momento de criação de um Plano, que vai se espelhar bastante no Plano Nacional, mas também vai levar em consideração as questões particulares do Estado. Entre elas, destaco a participação no bioma Pampa. Estamos numa região do Cone Sul que tem uma relação própria com a leitura e com a literatura. Queremos trabalhar de maneira sistêmica, descentralizada e participativa, reunindo cultura e educação, governos, sociedade e setores relacionados ao livro e à literatura”, diz Assumção.

Na visão do professor e escritor Fabiano dos Santos Piúba (DLLL / MinC / FBN), os 3L, de livro, leitura e literatura, poderiam ser ampliados para 4L. “A partir da expressão ‘com quantos paus se faz uma canoa’, pensamos com quantos L’s se faz política pública. O L do livro, o de leitura, o de literatura e um quarto, o de leitor, que leva em conta as questões da formação do leitor e do profissional de Letras. Ou seja, não dá mais para desenvolver uma política pública apenas para o livro, apenas para a questão do acesso. Se a gente não inclui esse outro L de leitor, da formação de uma nação de leitores, teremos diversas implicações. Pois aquele que entra no livro e sai o mesmo, não conseguiu estabelecer uma relação de experiência com a leitura. É por isso que digo que não me preocupo com o debate quase histérico sobre o fim do livro. Ficaria muito preocupado se a discussão fosse sobre o fim da experiência da leitura ou o fim da literatura. O livro é objeto, enquanto a leitura é a atividade”, conclui.

 

Fonte: Blog Acesso

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Discussão

Um comentário sobre “Livro, leitura e literatura

  1. O Estado do Amapá esta trabalhando nesta temática, pois percebemos a importância na vida de cada cidadão e sua representatividade na sociedade, no que tange a leitura do mundo e o poder de transformação.
    Alciléa Ferreira – Historiadora

    Publicado por Alciléa Ferreira | 14/12/2011, 10:27 AM

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